sábado, 13 de fevereiro de 2016

MotoGP - Ainda o Software Unificado



Os promotores do mundial de MotoGP não são entidades beneficentes e sabem que um “gap” tecnológico muito grande entre as equipes torna as corridas monótonas, sem atrativos, como tem acontecido nas últimas provas da Fórmula 1 com a hegemonia da Mercedes. Menor competitividade resulta em menor audiência, menor exposição para os patrocinadores, menores lucros. Desde o GP da Austrália em 2010 o monopólio dos vencedores é das equipes oficiais das fábricas Yamaha e Honda, não por acaso as que administram os maiores orçamentos.

Para obter um ambiente de maior competitividade nas pistas só existem duas opções, dotar as equipes menores com recursos para que também possam investir pesado em desenvolvimento ou nivelar por baixo, utilizar um regulamento que impeça o uso de tecnologia de ponta. A Dorna e a FIM, ao introduzir no regulamento a obrigatoriedade do uso do pacote eletrônico unificado, escolheram a segunda opção. Nestes termos é compreensível o desabafo do vice-presidente da HRC, Shuhei Nakamoto, que declarou durante os testes de Sepang que “O software unificado é semelhante ao que utilizamos dez anos atrás". O escopo da HRC de desenvolver tecnologia para ser portada para as motos de linha foi temporariamente suspenso para ajustar a potência e o comportamento da RC213V de 2016 às limitações do software unificado.

Muita coisa mudou, exigindo muito mais dos pilotos. MotoGP, independente de toda a estrutura de apoio, é um esporte solitário. Uma vez apagadas as luzes que autorizam a largada, a sinergia entre piloto e moto é única, os recursos de telemetria servem apenas para amostrar comportamento de componentes para serem analisados mais tarde. As instruções que nos habituamos a ouvir nas coberturas de Fórmula 1, dos boxes solicitando aos pilotos para “adotarem o plano B” ou “cuidarem da temperatura dos freios” não existem na MotoGP, pilotos não tem comunicação com engenheiros durante as provas.

O procedimento de ajustar a moto durante a competição era realizado pelo software dos fabricantes. Até a temporada passada as motos eram equipadas com sistemas GPS que forneciam em tempo real a sua posição na pista e a eletrônica determinava o comportamento mais eficiente do controle de tração e entrega de torque. As estratégias eram adaptadas durante a corrida considerando fatores como consumo de combustível e degradação de pneus. Para 2016 os GPSs foram banidos e o software da Magneti Marelli é muito limitado.

O software unificado endereça a mudança de comportamento da moto durante uma corrida, na medida em que os pneus perdem aderência, de uma maneira simplista, permite que o piloto selecione entre mapas pré-definidos com as características da pista. Até 2015 a preocupação do piloto era como contornar uma curva e as condições ideais de comportamento do equipamento eram administradas pela eletrônica, agora ele deve fazer durante a corrida a melhor opção entre mapas específicos para cada ocasião.



Handlebar Buttons  - Ducati Desmosedici GP14

O software da Magneti Marelli pode administrar ajustes curva por curva durante uma volta, o que ele não faz é se auto ajustar. A aderência de uma pista não é uniforme e o software contempla condutas diferentes em cada curva porque o coeficiente de atrito pode ser diferente, porém são comportamentos pré-definidos, não adaptativos.

Sem o auxílio do GPS, que foram banidos pelo regulamento, as balizas que limitam os setores de cronometragem são utilizadas para estimar a posição da moto na pista. Ao passar por uma destas balizas o software sincroniza e passa a contar as rotações da roda, calculando a distância percorrida para estimar onde a moto está na pista e adequar os ajustes pré-definidos no mapa escolhido pelo piloto. Este procedimento implica em dois problemas, (1) ao passar pela baliza o mapa é sincronizado e qualquer variação da trilha ideal introduz erro crescente que só será corrigido no próximo ponto de amostragem, (2) se inadvertidamente sair da pista, o comportamento da moto fica totalmente prejudicado até ser “zerado” no ponto seguinte.

Não há nenhuma garantia que o chamado “Pacote de Redução de Custos” consiga equilibrar a competitividade na MotoGP. Com certeza vai haver um período de adaptação antes de surgir um indicativo claro se os objetivos dos promotores, FIM e Dorna, foram ou não alcançados.

No Grande Prêmio de Motegi, em 2015 com pista molhada, as Yamaha de Jorge Lorenzo e Valentino Rossi dispararam na frente do início da corrida, o líder abriu mais de 8 segundos de vantagem sobre a Honda de Dani Pedrosa. Quando o desgaste dos pneus começou a ficar evidenciado as duas Yamaha perderam consistência e foram ultrapassadas por Pedrosa, que venceu a competição com 8,5 segundos de vantagem sobre Lorenzo. As condições de pista eram iguais, os tipos de pneus iguais, nesta prova venceu o gerenciamento eletrônica da Honda. Com certeza uma reação destas seria improvável com o software unificado.

Publicado em 12 de fevereiro de 2016 no site www.autoracing.com.br

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

MotoGP - Registro de Um Acidente


O acidente com o piloto francês Loris Baz  com sua Ducati GP14.2 Avintia nos testes de Sepang, ocasionado pelo estouro do pneu traseiro, foi registrado por seu equipamento de segurança (Tech Air Race da Alpinestars) e indica que o piloto, que saiu quase ileso da queda quando estava com aceleração total na maior reta do circuito, contou com muita sorte. Tempo de duração do incidente foi de 8,5 segundos, 1,9 segundos entre a perda inicial de controle e o piloto ser ejetado da moto, o airbag foi acionado e inflou ainda enquanto Baz estava no ar, o contato com a pista aconteceu 60 milissegundos depois. O impacto do piloto com o solo foi mais intenso em seu ombro esquerdo e foi medido em 29.9g (quase trinta vezes o seu peso). Após o choque com o asfalto, Loris Baz deslizou pela pista mais 6,6 segundos antes da parada total.

Registro do airbag de Loris Baz durante o acidente

domingo, 7 de fevereiro de 2016

WSBK - Pilotos Inscritos no Mundial de SuperBike 2016


 A relação de pilotos inscritos para o Campeonato Mundial de Superbike 2016 foi divulgada pela FIM no início de fevereiro, a abertura da temporada está marcada para 19/21 deste mes na pista de Phillip Island, na Austrália.
Um total de 24 pilotos vai disputar a principal classe da Superbike, com o atual campeão Jonathan Rea ostentando o número 1 em sua nova Kawasaki ZX-10R. O retorno confirmado da Yamaha com a nova YZF R1 promete uma disputa acirrada com Kawasaki, Ducati, Honda e BMW.
Uma atração especial é a participação do piloto norteamericano Nicky Hayden, campeão da MotoGP em 2006, que busca repetir o feito no WSBK. Ao seu lado alinham os pilotos egressos da MotoGP Karel Abrahan, que em 2010 venceu o GP de Moto2 em Valência e Alex de Angelis,  que contabiliza vitorias nas classes 250cc e Moto2.
A relação é a seguinte:
No
Piloto
Nac.
SuperBike
Equipe
1
Jonathan Rea
GBR
Kawasaki ZX-10R
Kawasaki Racing Team
66
Tom Sykes
GBR
Kawasaki ZX-10R
Kawasaki Racing Team
7
Chaz Davies
GBR
Ducati 1199 Panigale R
Aruba.it Racing - Ducatti
34
Davide Giugliano
ITA
Ducati 1199 Panigale R
Aruba.it Racing - Ducatti
60
Michael van der Mark
NED
Honda CBR1000RR SP
Honda World Superbike Team
69
Nicky Hayden
USA
Honda CBR1000RR SP
Honda World Superbike Team
7
Markus Reiterberger
GER
BMW S1000 RR
Althea BMW Racing Team
81
Jordi Torres
ESP
BMW S1000 RR
Althea BMW Racing Team
22
Alex Lowes
GBR
Yamaha YZF R1
Yamaha Official WorldSBK Team
50
Sylvain Guintoli
FRA
Yamaha YZF R1
Yamaha Official WorldSBK Team
12
Xavi Forés
ESP
Ducati 1199 Panigale R
Barni Racing Team
11
Saeed Al Sulaiti
QAT
Kawasaki ZX-10R
Pedercini Racing
20
Sylvain Barrier
FRA
Kawasaki ZX-10R
Pedercini Racing
2
Leon Camier
GBR
MV Agusta 1000 F4
MV Agusta Reparto Corse
40
Román Ramos
ESP
Kawasaki ZX-10R
Team GoEleven
9
Dominic Schmitter
SUI
Kawasaki ZX-10R
Grillini Racing Team
16
Josh Hook
AUS
Kawasaki ZX-10R
Grillini Racing Team
10
Imre Toth
HUN
Yamaha YZF R1
Team Toth
56
Peter Sebestyen
HUN
Yamaha YZF R1
Team Toth
15
Alex De Angelis
RSM
Aprilia RSV4 1000 F
IodaRacing Team
32
Lorenzo Savadori
ITA
Aprilia RSV4 1000 F
IodaRacing Team
17
Karel Abraham
CZE
BMW S1000 RR
Milwaukee BMW
25
Joshua Brookes
AUS
BMW S1000 RR
Milwaukee BMW
61
Fabio Menghi
ITA
Ducati 1199 Panigale R
VFT Racing
 (Colaboração de Christina Gouveia Lima)

MotoGP - Honda Nunca Segue o Caminho Mais Fácil


Muitos acreditam que os indicadores mais importantes dos testes pré-temporada são os tempos por volta. Estes números são analisados em detalhes ​​pelos “especialistas” que tentam antever os acontecimentos da próxima temporada, assim como adivinhos acreditam que podem prever o futuro pela leitura de cartas, borra de café ou entranhas de um pombo.
Para os engenheiros os tempos de voltas individuais em pré-temporadas não significam muita coisa. Os testes no início de fevereiro Sepang registraram as máquinas oficiais da Yamaha como as mais rápidas, enquanto os técnicos e projetistas da Honda ficavam confinados nos boxes ajustando a RC213V para a sexagésima oitava temporada da MotoGP.
Os registros dos tempos por volta ao final dos três dias de treino não proporcionaram conforto à HRC, seu principal piloto Marc Márquez ficou a quilométricos 1,2 segundos atrás de Jorge Lorenzo. O estilo suave do atual campeão parece melhor adequado a um cenário de menos aderência e menor influência da eletrônica. Para a imprensa o fato de Valentino Rossi ficar a quase um segundo do companheiro de equipe não pareceu muito significativo, as dificuldades da Honda é que monopolizaram as manchetes.

A HRC parece sempre apostar em obter os melhores resultados trilhando o caminho mais difícil, enquanto seus adversários diretos, Yamaha e Ducati, optaram por motores mais comportados com resposta mais comedida, adequados a um pacote de eletrônica mais simples, a Honda continua a buscar mais potência. Na beira da pista o ruído da passagem de um M1 ou GP16 pode ser confundido com uma moto de rua barulhenta, um RCV é assustador, aparenta estar indócil, rosnando, rangendo os dentes.
O motor Honda tem quatro cilindros dispostos em V com um ângulo de 90 graus, solução encontrada para evitar perda de energia devido a vibrações. O V4 de 90 graus maximiza a geração de potência, que resulta em maior dificuldade de controle. A moto tem resposta excelente em retas, mas é complicada nas curvas, com respostas agressivas demais. Até o ano passado a Honda utilizou software para contornar esta dificuldade, construiu motos com sinergia perfeita entre motor, chassis e eletrônica da era espacial. Foi a primeiro fabricante a enveredar por este caminho, obteve ótimos resultados, no entanto este ano teve que jogar todo este trabalho no lixo e adaptar-se a um software menos evoluído. Em Sepang o vice-presidente da HRC, Shuhei Nakamoto, declarou que “O software unificado é semelhante ao que utilizamos dez anos atrás". Sua irritação é compreensível, Nakamoto está no negócio para construir motos mais evoluídas que os modelos anteriores e agora está rebobinando seus conhecimentos para produzir um motor em 2016 compatível com uma configuração eletrônica de 2006.
A pergunta que se impõe é óbvia: O regulamento e a especificação do software são conhecidos desde o início da temporada passada, por que a Honda não seguiu o caminho dos outros fabricantes?

Historicamente a fábrica desenvolve soluções próprias, não segue exemplos exitosos de concorrentes. Sua história no motociclismo esportivo é fazer sempre as coisas à sua maneira, frequentemente tem sucesso, às vezes não funciona. A Honda acredita que corridas tem um valor para o desenvolvimento de tecnologia maior que os resultados de exibição da marca. Utiliza as pistas para apreender, não exclusivamente para vencer. Soichiro Honda costumava afirmar que se aprende mais perdendo que ganhando. Quando a Honda tem um problema nem sempre segue a maneira mais fácil ou mais sensata, costuma procurar novas soluções, tentando técnicas ainda não experimentadas. Em síntese, o que move a fabricante japonesa é tentar fazer o que ninguém mais tentou.

Tudo começou na década de 1960, enquanto Suzuki e Yamaha empilhavam títulos mundiais com os seus motores de dois tempos, a Honda se manteve fiel às raízes com os de quatro tempos. Construíram motores fantásticos como um 250cc de seis cilindros, 125cc de cinco cilindros e um 50cc de dois cilindros, todos com mais de 20.000rpm. O RC115 50cc que alcançava 22.000 rpm e produzia 280 HPs por litro, mais que uma máquina de MotoGP atual, foi concebido em 1966.

Quando a FIM anunciou em 1968 uma nova regulamentação limitando os motores em quatro cilindros e 500cc, a disputa com os dois tempos ficou muito desigual e a Honda retirou-se das competições e concentrou seus esforços em automóveis.  No final da década de 70 anunciou que iria voltar às provas de motos, insistindo nos quatro tempos. Os motores de dois tempos ainda apresentavam muitas vantagens, então o fabricante decidiu compensar com tecnologia. Uma vez que um motor convencional de quatro cilindros e quatro tempos nunca poderia produzir a mesma potência que um dois tempos, a Honda aumentou a área das válvulas. O regulamento da época permitia até quatro câmaras de combustão, a Honda projetou um V8 de 32 válvulas, com quatro pares de câmaras de combustão ligados, um motor inovador com quatro cilindros em forma oval. Os cilindros ovais permitiram espaço para 32 válvulas e oito velas de ignição, as mesmas de um motor de oito cilindros, enquanto permanecia dentro do limite da regra de quatro cilindros. Outra inovação utilizada no NR500 foi sua estrutura monochoque, que envolveu o motor como um casulo de aço e ajudou a reduzir o peso.  Em um esforço para reduzir o arrasto, baixar o centro de gravidade e reduzir as forças giroscópicas, a moto foi equipada com rodas de 16 polegadas em vez das tradicionais de 18 pol dos outros competidores. O NR500 nunca se classificou entre os “top ten” em uma prova oficial.

O fracasso do NR, explorado pela mídia que interpretou o acrônimo NR como “Never Ready”, não mudou o modo de pensar da Honda. No início dos anos 80 os GPs de 500cc eram dominados pelas motos da Yamaha 4 cilindros e Suzuki 4 cilindros, ambos com válvulas rotativas e chassi de alumínio. Depois do fracasso embaraçoso do NR o sensato seria a Honda utilizar a mesma tecnologia comprovada e confiável com que os concorrentes estavam vencendo provas. Não foi o caminho seguido, a empresa decidiu apostar em um motor de dois tempos, três cilindros, com estrutura de aço e alimentado por válvulas de palhetas. O novo motor, NS500, foi recebido com descrença pelos especialistas, era inconcebível um três cilindros ser mais competitivo que um quatro cilindros, porém seu desempenho foi suficiente para conduzir Freddie Spencer ao título mundial de 1983. Quando faltou espaço para aumentar a potência, a Honda partiu para um quatro cilindros, mas seguiu inovando, em vez de construir um motor convencional com duas manivelas (twincrank), optou por uma única manivela, com todos os problemas decorrentes da falta de balanceamento.

A criatividade também foi empregada na criação do chassi, o NS500 versão 1984 deslocou o tanque de combustível para baixo do motor e migrou o sistema de exaustão para cima. Para os engenheiros da fábrica era uma ideia razoável porque em automóveis um centro de gravidade baixo ajuda na velocidade final, entretanto o modo como o momento de inercia trabalha nas motos é diferente e o “monstrengo” nasceu fadado ao fracasso. Novamente a HRC tinha aprendido alguma coisa, para 1985 mudou o chassi para um desenho mais convencional e em 1992 inovou criando uma moto aerodinâmica extremamente fácil de pilotar, que conquistou em sete campeonatos entre1994 e 2001. 

Em 2002 a FIM em associação com a Dorna alteraram o regulamento de modo radical, o campeonato passou a ser chamado MotoGP, disputado exclusivamente por protótipos e a especificação do motor contemplou dois tempos 500cc ou quatro tempos 990cc. A Honda manteve nas pistas o NS500 (dois tempos) e introduziu o RC211V, quatro cilindros e quatro tempos. Os NS500 foram abandonados durante a temporada por não terem condições de acompanhar os quatro tempos, um dos pilotos que trocou de motor com o campeonato em andamento foi o brasileiro Alex Barros, que recebeu uma RC211V para as quatro últimas provas da temporada, venceu duas e conseguiu um segundo e um terceiro lugar. A Honda garantiu para Valentino Rossi dois campeonatos mundiais (2002 & 2003) e nestes anos venceu 27 das 32 corridas disputadas.

É importante lembrar a história da Honda e sua filosofia de trabalho ao analisar o desempenho do RC213V nos testes de Sepang. Alguns sugerem que a fábrica tenha relaxado no ano passado, confiando demais nos bons resultados de 2013 e 2014.

Uma análise despretensiosa do que ocorreu durante os testes indica que os dois pilotos da equipe oficial trabalharam com agendas diferentes, um preocupado com a relação entre motor & eletrônica e outro com pneus e distribuição de peso. O fato da fábrica não estar preocupada com tempos de voltas ficou evidenciado por uma declaração de Marc Márquez que poderia arriscar mais para ser mais veloz, mas não era o caso. Para corroborar esta afirmação existe o fato de ele, que frequentemente excede os limites, não ter caído nenhuma vez durante o fim de semana. Dani Pedrosa também não pareceu preocupado com melhores voltas, Cal Crutchlow pilotando uma Honda satélite sem evolução obteve tempos melhores.

O maior problema é que, embora a Honda tenha o motor mais potente e mais selvagem da MotoGP, os seus esforços para controlar esta agressividade na entrega de torque utilizando sua vasta experiência estão comprometidos pela regulamentação rigorosa da competição. As chamadas regras de corte de custos buscam privilegiar o espetáculo proporcionando mais competidores e maior competitividade, em detrimento ao principal objetivo da Honda, o desenvolvimento de tecnologia.

Estas regras são conhecidas desde o início do ano passado, ou seja, não são nenhuma surpresa.  O início do campeonato se aproxima e é trabalho da Honda utilizar todos os seus recursos de engenharia para, dentro das regras, obter o melhor resultado.

A HRC tem pouco mais de cinco semanas antes de os motores serem selados na véspera da prova de abertura no Qatar. Será que a Honda tem algum coelho escondido na cartola?



(Original de Mat Oxley publicado em 03 de fevereiro na MotoSport Magazine, traduzido e adaptado por Carlos Alberto Goldani)

sábado, 6 de fevereiro de 2016

MotoGP - Testes de Sepang – Top 50



Estatísticas só agregam alguma credibilidade se realizadas com amostras significativas, entrevistar cinco pessoas aleatórias não autoriza a prever com certeza o comportamento futuro de uma população de 200 milhões. Por isso a análise dos testes de Sepang ainda é pouco significativa, entretanto os tempos registrados na pista já podem orientar uma tendência. O registro das 50 voltas mais rápidas, considerando apenas o último dia sem os compostos de pneus mais macios retirados pelo fabricante, equilibra a amostra reduzindo o número de variáveis envolvidas e permite algum tipo de conclusão. Todas as equipes utilizaram o mesmo tipo de pneu traseiro e houve diferenças nos dianteiros porque a Michelin testou alguns compostos em desenvolvimento, que não estiveram disponíveis para as equipes satélite. Em uma estimativa baseada em “feeling”, Jorge Lorenzo imagina o ganho com os novos dianteiros em 0.4 a 0.5 segundos por volta.

O atual campeão registrou os oito melhores tempos do dia e a equipe oficial da Yamaha contabilizou 23 das 50 voltas mais rápidas, divididas em 14 para Lorenzo e 9 para Rossi.
A Honda obteve 13 dos 50 melhores tempos, 7 com Marc Márquez, 3 com Cal Crutchlow e 3 com Dani Pedrosa.
Com 5 pilotos participando da sessão de testes, as máquinas da Ducati conseguiram estar apenas 11 vezes entre os “top 50”, Casey Stoner e Hector Barbera em 3 oportunidades cada, Andrea Iannone  e Scott Redding em duas e uma com Danilo Petrucci.
Maverick Vinales foi o único piloto com Suzuki que apareceu na lista, em 3 oportunidades.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

MotoGP & WSBK



A Fédération Internationale de Motocyclisme (FIM), entidade com base na Suíça, é responsável pelos dois eventos esportivos de duas rodas mais importantes do mundo, o mundial de MotoGP, disputado exclusivamente com protótipos e o mundial de SuperBike para equipamentos com base em modelos comercializados no mercado. Os dois eventos compartilham o formato de disputas em circuitos fechados e tem diferenças marcantes.

MotoGP

MotoGP ou Moto Grand Prix, considerada a categoria máxima do Motociclismo, é o mais antigo Campeonato do Mundo de desportos motorizados, sua primeira prova foi realizada em 1949. A MotoGP com o formato atual existe desde 2002, em substituição à antiga categoria 500cc e até 2006 era equipada com motores 4 tempos limitados a 990cc. Entre 2007 e 2012 a capacidade do motor mudou para 800cc e a partir de 2012 assumiu a atual especificação de 1000cc. Os equipamentos pesam em torno de 160 kg, produzem mais de 250 HPs e utilizam o estado da arte da tecnologia aplicada sobre rodas.

Superbike (WSBK)

O mundial de Superbike (WSBK) é disputado desde 1988 e é reconhecido por eleger a melhor SuperBike que pode ser adquirida no mercado. Ao contrário dos protótipos exclusivos da MotoGP, WSBK utiliza a especificação de motos de produção em série ligeiramente modificada. A base para uma moto WSBK obrigatoriamente é uma versão homologada de um equipamento com um número mínimo de unidades comercializadas. Há pouca margem de modificações permitidas, alteração no comando de válvulas, sistemas de exaustão, carenagens de fibra de carbono e a remoção dos equipamentos de estrada como faróis, sinalizadores e espelhos retrovisores para poupar peso. WSBK utiliza motores de quatro tempos com três ou quatro cilindros até 1000cc ou dois cilindros até 1200cc. As regras proíbem estritamente o uso de ligas leves e metais como titânio nas rodas e braço oscilante. 

Ambas as categorias compartilham os mesmos formatos de corrida, com provas em circuitos de diversos países, tomadas de tempo para classificação no grid de largada e um sistema baseado em pontos para recompensar vitórias e colocações. A atribuição do número de pontos de acordo com a classificação é idêntica nas duas categorias (premiados os quinze primeiros colocados), a exceção é que para o campeonato de construtores na WSBK só os pontos do piloto mais bem classificado são contabilizados. WSBK realiza duas provas nos fins de semana dos eventos, a MotoGP apenas uma. Ambas promovem corridas de apoio nas mesmas datas dos GPs, a MotoGP tem como categorias de acesso a Moto2 (quatro cilindros, 600cc) e Moto3 (monocilindro, 250cc) e a WSBK realiza o Mundial de SuperSport (motos derivadas de modelos de série com cilindrada entre 600 e 750cc) e a SuperStock 1000 (quase 100% iguais as vendidas ao público em geral).

As principais diferenças são:

 Orçamento: O volume de investimentos envolvidos na MotoGP é muito maior em termos de pesquisa e desenvolvimento, infraestrutura da equipe e remuneração dos profissionais envolvidos.

 Tecnologia: WSBK é uma extensão das motos de estrada convencionais e o desenvolvimento de tecnologias exclusivas é restrito, MotoGP é uma classe de "protótipos" e a criação de novas soluções é menos limitada.

Qualidade dos Pilotos: Conceito muito subjetivo, há um fluxo constante entre as duas categorias, entretanto a entrada de um piloto na MotoGP é considerada uma promoção, enquanto alguns que não conseguem bons resultados migram para a WSBK.

 Desempenho: Os melhores tempos por volta costumam ser obtidos por equipamentos da MotoGP, mas existem alguns pontos que devem ser considerados, as motos do WSBK são mais pesadas, menos potentes e limitadas em termos de configurações. Os discos de freios são de aço, menos eficientes que os compostos de carbono da MotoGP. Ainda assim os tempos são muito próximos e numa hipotética corrida com equipamentos de ambas as categorias não seria muito estranho se uma WSBK conseguisse liderar algumas voltas.

Publicado em 05 de fevereiro de 2016 no site www.autoracing.com.br